Olhei para isso muito antes de saber que era um ofício.
Muitas vidas. Sempre isso.
Comecei como muita gente começa, pensando que a saída era acumular mais informação sobre mim mesmo. Mais livros, técnicas, ferramentas, conceitos. Levou tempo até perceber que a informação acumulada não alcança a camada que importa porque ela existe antes da informação.
Há mais de vinte e cinco anos trabalho com desenvolvimento humano, consciência e alta performance — quase todo esse tempo conduzindo processos individuais ou em pequenos círculos, um por vez. Fundei o Projeto Flow para que esse trabalho tivesse uma casa.
Escrevi Antes do Pensar em 2025 para descrever, de dentro, o estado de flow vivido como experiência de não separação. Estou terminando agora Fronteira Interior, o segundo livro, previsto para o fim de 2026.
A filosofia que sustenta esse jeito de trabalhar é inspirada pelo shokunin, o artesão japonês que dedica a vida inteira a um único ofício com presença total. A intenção é devolver ao mundo o que a observação direta tornou visível.
O que muda em cada processo é o que conduz cada processo.
O que sustenta o trabalho.
Enneagram Professional Training Program
Formação completa em Eneagrama com Helen Palmer e David Daniels, uma das principais escolas internacionais.
Aplicação no contexto de organizações
Formação com Ginger Lapid-Bogda PhD. Trabalho com o Eneagrama na esfera de liderança, cultura e dinâmica de times.
International Enneagram Association, capítulo Brasil
Membro fundador. Participação na construção da comunidade de Eneagrama no país.
Casa do trabalho individual
Fundador. Estrutura que sustenta os processos de Deep NOW, Ponto Cego e Fundação.
Em algum momento da minha vida o que eu via e o que eu era se fundiram num único reconhecimento. Aconteceu sem que eu estivesse procurando, e desde então o trabalho e a vida ocupam o mesmo espaço. O ego não desapareceu, continua aqui, mas perdeu a autoridade sobre o que faço e por quê. Cada pessoa que chega carrega a possibilidade do mesmo vislumbre, a percepção direta da própria natureza, antes do personagem que aprendeu a se apresentar como si mesmo.
O único ofício que a lembrança tornou possível.
Shokunin é a compreensão de que o ofício de se conhecer não tem chegada. A dedicação total ao trabalho interior, sessão a sessão, pessoa por pessoa, carrega em si o serviço a algo maior do que qualquer resultado visível. A satisfação que fica é silenciosa, e vem de ter estado completamente presente no que aconteceu, dos dois lados.
« Era ofício antes de ter nome. »